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Este microbook é uma resenha crítica da obra:
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Editora: 12min
Durante muito tempo, quando se falava em dívida das famílias brasileiras, os vilões eram sempre os mesmos: juros altos e facilidade de crédito. Eram eles que apareciam nos relatórios, nas manchetes e nas conversas de boteco. Mas enquanto todo mundo olhava para o cartão de crédito e para o cheque especial, uma outra força estava crescendo em silêncio... nos bolsos, nas telas dos celulares, e no orçamento de milhões de lares.
Um estudo publicado em março de dois mil e vinte e seis pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo, o IBEVAR, em parceria com a FIA Business School, revelou algo que nenhuma pesquisa havia mostrado antes: as bets já são o fator que mais pesa no crescimento das dívidas das famílias brasileiras. Mais do que os juros. Mais do que o crédito fácil. Mais do que os dois somados.
E isso não é um achismo. O estudo analisou dados de dezembro de dois mil e onze até dezembro de dois mil e vinte e cinco, cruzando informações do Banco Central e do Ipea com indicadores de interesse captados em redes sociais.
Os pesquisadores usaram um modelo estatístico que isolou cada variável para entender, separadamente, o peso de cada fator. O resultado: o impacto das bets no endividamento é quase o dobro da soma dos dois fatores tradicionais.
A história começa em dois mil e dezoito, quando o Brasil legalizou as apostas esportivas. A regulamentação definitiva só veio em dois mil e vinte e três, mas a partir de dois mil e dezenove as plataformas já estavam espalhadas por todo canto... nos aplicativos, nos anúncios durante os jogos de futebol, nos stories dos influenciadores. O acesso ficou tão fácil quanto pedir uma pizza pelo celular.
E o brasileiro entrou de cabeça. Segundo a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, vinte e cinco vírgula dois milhões de pessoas fizeram apostas nas setenta e nove plataformas autorizadas em dois mil e vinte e cinco. A receita bruta dessas empresas chegou a trinta e sete bilhões de reais no ano. Trinta e sete bilhões. É como se, a cada mês, cada apostador ativo estivesse gastando em média cento e sessenta e quatro reais.
Pode parecer pouco quando se olha de forma individual. Mas a escala transforma isso num fenômeno econômico.
Uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e do SPC Brasil dá uma dimensão mais nítida. Cerca de trinta e nove vírgula cinco milhões de brasileiros pagaram por algum tipo de jogo online nos doze meses anteriores à pesquisa. Desses, quarenta e um por cento deixaram de consumir algo para apostar... cortaram refeições fora de casa, internet, supermercado, passeios em família. Dezenove por cento comprometeram a renda. Dezessete por cento pararam de pagar contas para continuar jogando. E vinte e nove por cento já tiveram o nome negativado por causa das apostas.
O dinheiro que antes ia para o mercadinho, para o lazer ou para a poupança agora vai para uma atividade onde a maioria perde... porque o retorno esperado das apostas, por definição, é negativo. É como encher um balde furado: a água vai saindo por baixo enquanto você insiste em jogar mais.
Nos Estados Unidos, a Suprema Corte liberou as apostas esportivas em dois mil e dezoito. Desde então, pesquisas mostraram que o volume apostado cresceu rapidamente, a poupança das famílias caiu e os investimentos financeiros encolheram. Estudos americanos apontam que, em média, cada dólar gasto em apostas reduziu quase o mesmo valor em aplicações no mercado financeiro. Os aportes líquidos em corretoras caíram cerca de catorze por cento.
No Brasil, o cenário é potencialmente mais grave. Aqui, a taxa básica de juros está em quinze por cento ao ano... o maior nível desde dois mil e seis. Os juros médios cobrados de pessoas físicas chegaram a sessenta e um por cento ao ano em janeiro de dois mil e vinte e seis. O cartão de crédito parcelado bate quase cento e noventa e cinco por cento ao ano. E o rotativo... quatrocentos e vinte e quatro por cento.
Agora imagine a seguinte cena. Uma pessoa perde dinheiro nas apostas. Não tem reserva. Recorre ao cartão de crédito para pagar as contas do mês. Entra no rotativo. A dívida cresce numa velocidade que ninguém consegue acompanhar. Em fevereiro de dois mil e vinte e seis, o Brasil bateu o recorde de oitenta e um vírgula sete milhões de inadimplentes, segundo a Serasa Experian...
o maior número já registrado. O endividamento das famílias fechou dois mil e vinte e cinco em quarenta e nove por cento da renda, e o comprometimento mensal alcançou vinte e nove por cento... também recorde.
As bets não criaram esse cenário sozinhas. Os juros elevados são, por si, uma engrenagem poderosa de endividamento. Mas as apostas funcionam como um acelerador... jogam gasolina num motor que já estava quente.
Quem mais sofre, como quase sempre, são as famílias de baixa renda.
Os dados da CNDL mostram que o gasto médio mensal com apostas é de cento e oitenta e sete reais entre os brasileiros que apostam, mas sobe para duzentos e cinquenta e cinco reais nas classes A e B. Só que a diferença é que, para as famílias de maior renda, esse valor representa uma fatia pequena do orçamento. Para quem ganha um salário mínimo... cento e oitenta e sete reais pode ser a conta de luz, o gás de cozinha, a feira da semana.
E o acesso é feito, em setenta e seis por cento dos casos, pelo Pix. Instantâneo, sem atrito, sem passar por nenhum tipo de barreira. A aposta sai do bolso direto para a plataforma em segundos. É tão simples e rápido que o cérebro nem tem tempo de acionar o freio.
Vinte e oito por cento dos apostadores relataram efeitos negativos além das finanças: irritação, conflitos familiares, ansiedade, depressão. Sete por cento tiveram queda na produtividade no trabalho ou nos estudos. Trinta e sete por cento tentaram parar... mas não conseguiram.
A Associação Nacional de Jogos e Loterias, a ANJL, contestou o estudo do IBEVAR no mesmo dia em que ele foi publicado. A principal crítica é metodológica: a pesquisa usou indicadores de interesse por apostas em redes sociais como variável, e não os gastos financeiros reais das famílias. A ANJL argumenta que medir a atenção dada ao tema nas plataformas digitais não é o mesmo que medir quanto dinheiro efetivamente saiu do bolso das pessoas. Períodos em que as apostas foram muito discutidas publicamente, como durante a CPI das Bets, poderiam inflar os números sem que houvesse aumento real nos gastos.
É uma crítica que merece atenção. A ausência de dados confiáveis sobre quanto cada família brasileira efetivamente gasta com apostas ainda é um ponto cego do debate. Nem o governo, nem os pesquisadores, nem o próprio mercado têm essa informação completa... especialmente quando se considera que entre quarenta e um e cinquenta e um por cento do mercado de apostas no Brasil ainda opera de forma ilegal, segundo estudo da TMC e do Instituto Esfera.
A ANJL também argumenta que os gastos com apostas só viram dívida quando a pessoa recorre ao crédito para cobrir o rombo. Ou seja, a formação da dívida passa necessariamente pelos instrumentos financeiros tradicionais... o que, na visão da associação, reforça que juros e crédito continuam sendo os verdadeiros mecanismos de endividamento.
Do ponto de vista do governo, a regulamentação trouxe ganhos concretos. O governo federal arrecadou nove vírgula noventa e cinco bilhões de reais com as bets em dois mil e vinte e cinco. No primeiro bimestre de dois mil e vinte e seis, a arrecadação já somou dois vírgula cinco bilhões, um crescimento de duzentos e trinta e seis por cento em relação ao mesmo período do ano anterior. A alíquota sobre a receita bruta vai subir de doze para treze por cento em dois mil e vinte e seis, chegando a quinze por cento em dois mil e vinte e oito. Mais de vinte e cinco mil sites ilegais foram bloqueados em parceria com a Anatel. E a plataforma de autoexclusão do governo federal, lançada no fim de dois mil e vinte e cinco, já está em funcionamento. O motivo mais citado pelos apostadores que pediram o bloqueio foi a perda de controle sobre o jogo, ligada à saúde mental.
O setor gera receita, gera empregos e, para uma parcela dos apostadores, funciona como entretenimento dentro de um orçamento controlado. O desafio é que, para outra parcela, funciona como uma armadilha financeira.
Se você aposta regularmente, o primeiro passo é olhar para os números com honestidade. Some o quanto gastou nos últimos três meses. Compare com a sua renda. Se o valor ultrapassa cinco por cento do que você ganha, o orçamento já está sendo pressionado. Se ultrapassa dez por cento, o risco de endividamento é concreto.
Se o cenário for de alerta, existem caminhos práticos. A plataforma de autoexclusão do governo federal permite bloquear o acesso a todas as plataformas de apostas de uma vez, usando o CPF. A maioria dos aplicativos de apostas também tem ferramentas para definir limites de depósito diário ou semanal. Use essas ferramentas antes de precisar delas.
Para quem já está endividado, a prioridade é interromper o ciclo. A pior decisão é apostar mais para tentar recuperar o que se perdeu. Renegociar dívidas com o banco ou procurar programas como o Desenrola ou os mutirões de negociação do Serasa pode dar um alívio real no curto prazo.
Se o problema for emocional ou comportamental... se você tenta parar e não consegue, se sente irritação, ansiedade ou depressão ligada ao jogo... vale procurar apoio. O SUS oferece atendimento em saúde mental e a plataforma de autoexclusão do governo indica pontos de acompanhamento.
E se as apostas não fazem parte da sua vida, a informação ainda é útil. Entender o que está pressionando o orçamento das famílias brasileiras ajuda a tomar melhores decisões sobre crédito, consumo e investimento. Quando oitenta e um milhões de pessoas estão inadimplentes e o endividamento bate recordes, o ambiente econômico fica mais restritivo para todos... inclusive para quem nunca fez uma aposta sequer.
O debate sobre as bets não é simples. Há arrecadação, há entretenimento, há liberdade de escolha. Mas há também dívida, há sofrimento e há um novo fator de pressão sobre famílias que já viviam no limite. Saber onde estamos nesse mapa é o primeiro passo para decidir o que fazer a seguir.
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